|
1
Furou ? Cortou ? É hora de
consertar
O pneu, único
elemento de contato entre o veículo e o solo, sofre
constantes agressões ao passar por cima de tudo que há no
chão: piso bom ou ruim, pedras, detritos, sujeira e
qualquer outra coisa que estiver pelo caminho. Nessas
situações ocorrem danos que podem ir de um leve corte
superficial até uma avaria que chegue a inutilizar o pneu,
porque muitas vezes são aplicados consertos incorretos,
que ao invés de recuperarem os pneus acabam por
condená-los ao sucateamento precoce.
Furos de prego em
pneus sem câmara devem ser consertados de dentro para
fora: é preciso desmontar o pneu, verificar a extensão do
dano e se há outras avarias, principalmente no liner, a
camada interna que retém o ar e a pressão de calibragem.
Consertos do tipo “macarrão”colocados de fora para dentro
e sem desmontar o pneu são provisórios, para ser usados
numa emergência, mas nunca em caráter definitivo.
Fabricantes sérios desse tipo de reparo incluem nas
embalagens uma instrução de aplicação, onde está descrito
que se trata de um conserto provisório. O conserto correto
para esses pneus é um plug, que requer ferramentas e
técnica apropriada para ser aplicado.
Quando o dano é
maior a região afetada no pneu perde resistência porque as
lonas internas foram rompidas. Para recuperar essa
resistência aplica-se um manchão. Aqui também é preciso
conhecer as diferenças para saber se foi usado o reparo
correto.
As lonas da
estrutura do pneu comum são colocadas de lado a lado,
formando uma diagonal em relação ao centro da banda de
rodagem. O manchão possui internamente lonas que estão na
mesma posição, e lhe confere um formato semelhante a um
“X”. No centro, existe uma inscrição na qual está escrito
“diagonal”, identificando o tipo de pneu em que pode ser
aplicado. Há também duas setas e a inscrição “talão”.
Assim, o manchão só pode ser aplicado com o lado das setas
voltado para o talão para que acompanhe a direção das
lonas da carcaça.

2
Você sabe “ler” um pneu
?
Existe uma série de
informações escritas na lateral dos pneus: a medida do
pneu, limites de uso, dados de fabricação, etc.
Compreender essas informações é fundamental para ter
certeza de que está utilizando o pneu correto para o seu
trabalho.
A forma de descrever
a medida depende de sua construção. 11.00R22 indica um
pneu com 11 polegadas de largura da seção (parte mais
larga do pneu, mais ou menos na metade da altura de sua
lateral). R indica que é um pneu radial e 22 é a medida do
aro, em polegadas. A altura da seção desse pneu também é
de 11 polegadas. Se, ao invés de R existir um “X” ou um
traço (“-“), então o pneu é de construção diagonal
(11.00X22 ou 11.00-22). Já um radial de perfil baixo tem
sua medida descrita em milímetros. 295/80R22,5 indica uma
seção com 295 mm de largura. O índice a seguir (/80)
indica que a altura da seção corresponde a 80 % da altura
ou seja, é um pneu mais largo e baixo, se comparado com o
anterior.
R indica a
construção radial e 22,5 é a medida do aro em polegadas.
Em ambos os casos, a largura corresponde à seção (11 pol.
ou 295 mm) e não à largura da banda de rodagem. A
inscrição “TUBELESS” informa que o pneu é sem câmara, e
“TUBE TYPE” é com câmara, sendo necessário ainda o uso de
protetor na montagem.
Outros índices são
os limites de peso e velocidade, ambos indicados por meio
de códigos e traduzidos por tabelas específicas. O peso é
representado por um conjunto de números: 150/146, por ex.
Os três primeiros indicam o peso máximo por pneu em
montagem simples (eixo dianteiro) e os três últimos o
máximo por pneu para montagem dupla (eixos traseiros). No
exemplo, os pesos seriam de 3.350 kg e 3.000 kg,
respectivamente.
A velocidade máxima
determinada é representada por uma letra. Na maioria dos
pneus de carga esse limite é “K”, e equivale a 110 km/h.
Outra informação
refere-se à pressão de calibragem, mas aqui é necessário
saber um pouco de inglês. Na lateral consta qual é a
pressão máxima, por ex. 120 PSI, medida com o pneu frio e
admitida para uma carga máxima transportável. Essa é a
pressão máxima, mas não significa que seja a pressão a ser
usada. O correto depende unicamente do peso a ser
transportado.
Outras informações
referem-se a dados de fabricação, número de série, data e
local de produção e a marcações internas dos fabricantes.
Ao comprar pneus,
exija de seu fornecedor essas informações, para poder usar
os pneus corretamente e obter deles o melhor resultado.

3
Logística e pneus
Muitas empresa de
transporte ostentam em seu nome, e na pintura de seus
veículos, a palavra Logística. Mas será que realmente tem
ou fazem logística ? Em primeiro lugar, é preciso saber
que transporte não é logística e sim apenas uma parte
desta ou seja, transporte é a parte da logística
encarregada da movimentação de materiais, fazendo a
integração entre as demais áreas.
Numa operação que
compreenda a fabricação de um produto e sua distribuição,
o transporte colabora em três fases: trazendo a matéria
prima do fornecedor até a indústria, movimentando os
materiais dentro da fábrica e fazendo sua distribuição até
os pontos de
venda.
Por mais elaborada,
planejada e bem realizada que uma atividade possa ser,
tudo pode ir por água abaixo se um único componente nesse
ciclo falhar: o pneu.
Para manter os
estoques de matéria prima, produtos semi-acabados e
acabados nos níveis mínimos necessários como forma de não
empatar grandes somas, os materiais devem chegar
pontualmente e a movimentação interna não pode falhar,
assim como as entregas.
Mas e se furar um
pneu no trajeto entre o fornecedor e a fábrica ? Ou entre
esta e os pontos de venda ? Todo o planejamento pode ser
perdido porque o pneu que está sob o caminhão, de estepe
só tem o nome. Serve para ocupar o espaço mas sem nenhuma
condição de ser utilizado. Pior que isso, pode ser
necessário, e no estado em que se encontra, para ser
montado na dianteira, e aí comprometer a segurança do
motorista, do veículo e da carga.
Se houver um
acidente, o nome de sua empresa, sua imagem e reputação,
estampados na lateral do veículo, também estarão
comprometidos. Por isso, não descuide dos pneus.
Equipe os veículos
de sua frota com pneus em boas condições em todos os eixos
e também no estepe. Mantenha a calibragem correta, de
acordo com o peso transportado, para não correr o risco de
problemas durante o caminho, inclusive soltura de banda de
rodagem.
Se o seu caminhão
estiver equipado com pneus de desenhos diferentes entre os
eixos direcional e tração, e tiver apenas um estepe, esse
deve ser um pneu direcional. Se tiver um segundo estepe,
deve ser de tração e desenho compatível com os demais
pneus.
Observe também a
posição do espete no suporte, de modo que a válvula esteja
acessível e permita a calibragem pois do contrário, ao
precisar ser usado, pode estar com pressão muito abaixo do
ideal.

4
Você viu o jacaré ?
Calma ! Não estamos
falando do bicho, nem de uma viagem pelo Pantanal. Jacaré
é como costumam chamar a borracha da banda de rodagem que
se separou do pneu e ficou pelo caminho. Mas por que
acontece a soltura da banda ? Essa pergunta é difícil de
ser respondida.
Em primeiro lugar é
preciso ter ciência de que isso acontece com pneus
reformados, mas também com os novos. E as causas podem ser
quase impossíveis de se determinar porque quando o pneu
estoura, na maior parte das vezes, o que sobra não é
suficiente para achar a origem do problema.
Todo e qualquer pneu
tem limites de utilização (peso e velocidade), precisa
estar corretamente calibrado (e muitas vezes não está) e
sofre diversos impactos durante toda sua vida.
E todos sabemos que
é comum os pneus serem submetidos a esforços que vão além
de seus limites. O conjunto dessas situações, somado a
problemas do próprio pneu, podem resultar em soltura.
Os danos podem ter
como origem um problema de fabricação do pneu ou mesmo da
reforma, já que nenhum produto está 100 % isento da
possibilidade de ter defeitos. Mas também pode começar por
um dano sofrido durante o uso. Um furo mal consertado, por
exemplo, pode provocar infiltração de ar ou água na
carcaça, oxidando a estrutura e dando início a uma
desagregação entre borracha e lonas, também chamada de
deslocamento de lonas (o termo mais apropriado seria
“descolamento”).
Na maioria dos pneus
de carga o limite de velocidade é 110 km/h. O peso depende
de outros fatores, mas é o que determina a pressão a ser
usada. Se uma dessas 3 características for alterada, as
demais também devem ser: para carregar mais peso, é
preciso aumentar a calibragem e diminuir a velocidade.
Alguns fabricantes tem uma tabela que estabelece o quanto
deve ser reduzida a velocidade conforme o aumento do peso.
Já repararam que o jacaré sempre está num trecho de
descida ou no final de uma longa reta, e nunca na subida ?
Um impacto sofrido pelo pneu a baixa velocidade,
dificilmente resulta em soltura. Mas passar por um buraco
ou bater num degrau de cabeceira de ponte a 80 ou 100
km/h, carregado e com pressão incorreta, fatalmente
causará dano ao pneu, que pode terminar em soltura. E nem
sempre a banda se solta nesse momento, podendo acontecer
tempos depois, quando já nos esquecemos do impacto
sofrido.

5
Calibragem de
Pneus
O que suporta o peso
da carga não é o pneu, mas sim o ar contido em seu
interior. É como o combustível: o diesel é que faz o motor
trabalhar, enquanto o tanque é apenas um reservatório. Da
mesma forma, o pneu é o reservatório do ar que dá a
sustentação do peso.
O pneu em si tem
outras funções além dessa, e depende do ar em seu interior
para desempenhá-las adequadamente, por isso a pressão é
tão importante. Além de comprometer o desempenho dos
pneus, uma calibragem inadequada faz com que aumente o
consumo de combustível, e os gastos.
De todas as ações
que podem ser adotadas com relação a pneus, a calibragem é
a mais fácil e a de menor custo. E também uma das mais
desprezadas. A mais fácil porque pode ser feita por
qualquer pessoa, não sendo necessário um grande
conhecimento técnico.
A de menor
custo porque ar é muito mais barato que qualquer outro
componente. Quanto a ser desprezada bem, talvez os
transportadores e caminhoneiros possam responder qual a
razão.
Um pneu pode perder
pressão por diversas razões, e vamos tratar disso numa
próxima oportunidade, mas também aumenta sua pressão em
razão do calor gerado durante o trabalho, necessitando de
3 a 4 h para esfriar e voltar à pressão normal. Assim,
nunca se calibram pneus durante o dia, numa parada.
Somente pneus frios,
para não colocar uma pressão errada. A pressão ideal
depende principalmente do peso transportado, e não tem
relação alguma com o tamanho ou medida do pneu. Também
varia conforme o eixo em que estiver montado. Pneus
dianteiros, em montagem simples, requerem pressões em
geral um pouco mais baixas que um pneu idêntico que esteja
em eixo duplo. Consulte as tabelas de pressão dos
fabricantes de pneus, para determinar a pressão ideal para
o seu caso.
Também é muito
importante estabelecer um intervalo de calibragem, que
pode ser em dias (1 semana, 10 dias) ou em km (a cada
5.000 km). Parar no borracheiro quando parece que precisa
de ar, pode já ter causado um mal enorme aos pneus, e até
haver algum que já esteja inutilizado.
No intervalo
escolhido, tão importante quanto colocar ar nos pneus é
verificar a pressão que ainda tem. Se a variação entre uma
calibragem e outra for grande, acima de 5 lb/pol², pode
ser indicativo de algum problema maior: um pequeno furo,
um vazamento de válvula, uso de calibrador sem aferição,
ou foi calibrado ainda quente na ocasião anterior, etc.
Procure a causa e solucione, para não ter prejuízos
maiores.

6
P or
quê controlar pneus?
Radial, diagonal;
com câmara, sem câmara; liso ou borrachudo; afinal, qual é
o melhor pneu ?
A resposta a essa
pergunta não é simples, da mesma forma que não é única.
Pode variar de empresa para empresa, pelo tipo de
transporte feito, condições de uso dos pneus, manutenção
de pneus e veículos, e por uma imensa gama de outros
fatores.
A melhor resposta
que pode ser dada é a seguinte: “O melhor pneu é aquele
que proporcionar o menor custo por quilômetro rodado”. Por
isso é tão importante controlar o desempenho dos pneus da
frota, e esse controle não pode se limitar apenas em saber
quantos quilômetros rodou.
Em geral as
comparações seguem esse caminho, e acredita-se que
determinado pneu é melhor porque rodou mais quilômetros.
Isso pode levar a conclusões equivocadas. Vejamos pelo
exemplo: digamos que um determinado pneu tenha rodado
60.000 km enquanto que um outro rodou 70.000 km. A dedução
mais imediata é que o segundo é a melhor opção, mas quando
se leva em consideração o custo quilométrico, a conclusão
pode se inverter.
No mesmo exemplo,
vamos supor que o primeiro pneu custou R$ 600,00 e o
segundo custou R$ 750,00. Calculando o custo/km temos o
seguinte resultado: o primeiro pneu custa R$ 10,00/1.000
km rodados, e o segundo, R$ 10,71/1.000 km rodados. Uma
diferença de 7 %. Dessa forma, vemos que o primeiro pneu,
apesar de apresentar uma quilometragem menor, é mais
barato – e melhor – na relação valor / desempenho. Para
quem prefere calcular o custo por 1 km, os resultados são,
respectivamente, R$ 0,0100 e R$ 0,0107.
A mesma forma de
avaliação deve ser aplicada na comparação de resultados
das reformas dos pneus. Uma maior quilometragem não
necessariamente indica o melhor resultado. No cálculo de
custo também podem ser incluídos os gastos com câmaras e
protetores, consertos e trocas de válvula, por exemplo.
A partir dos
resultados de custo quilométrico podemos comparar
desempenhos de pneus pelo tipo (com ou sem câmara),
construção (radial ou diagonal), marcas, modelos, reformas
e reformadores, desenhos, etc.
E o mais importante
nisso tudo é acompanhar o desempenho (e a quilometragem)
até o final. Não se deixe impressionar por resultados
iniciais e parciais. Um pneu não se desgasta de forma
linear até o final isto é, se para rodar os 20.000 km
iniciais gastou 5 mm de borracha e ainda tem mais 10 mm,
não significa que o resultado final será 60.000 km. Na
maioria das vezes isso varia, e o resultado prático difere
do teórico.

7
Destino de carcaças
inservíveis
Em geral, ao pensar
em reformar pneus, o primeiro ponto considerado é a
questão econômica, já que uma reforma custa muito menos
que um pneu novo.
Porém existem outros
aspectos a avaliar além de qualidade, desempenho, etc., e
um deles, tão importante quanto qualquer outro, é a
questão ambiental.
“Recauchutagem é
reciclagem, reciclagem é vida!”; diz o slogan ecológico da
VIPAL.O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente)
instituiu a resolução N° 258, de 26/ago/99, que determina
regras para a destinação final de carcaças inservíveis de
pneus, as quais incidem e devem ser cumpridas por
fabricantes e importadores, e que passou a ter aplicação
efetiva em 01/jan/2002, com prazos e quantidades
determinadas para a coleta. Outro detalhe importante dessa
resolução é que entende-se por destinação final uma forma
de eliminar o pneu sem agredir a natureza. É sabido que o
pneu como lixo, é um dos mais difíceis de ser eliminado ou
destruído.
De acordo com a
resolução a partir de 01/jan/2002, para cada 4 pneus
fabricados no país ou importados, inclusive os que equipam
veículos importados, os fabricantes e importadores são
responsáveis pela destinação final de 1 pneu ou seja, 25 %
de todos os pneus envolvidos.
A partir de 01/jan/2003,
para cada 2 pneus novos fabricados ou importados, as
mesmas empresas são responsáveis pela destinação final de
1 pneu, ou 50% da produção ou importação.
A partir de 01/jan/2004,
para cada pneu novo fabricado ou importado, deve ser dada
destinação final a 1 pneu inservível e para cada 4 pneus
reformados importados, de qualquer tipo, os importadores
devem dar destino final a 5 pneus.
A partir de 01/jan/2005,
para cada 4 pneus novos fabricados no país ou importados,
as empresas devem dar destino final a 5 pneus inservíveis,
e para cada 3 pneus importados reformados, os importadores
devem dar destino final a 4 inservíveis.
A mesma resolução
determinou que, a partir de 02/dez/99, fica proibida a
destinação inadequada de pneus inservíveis, tais como
dispor carcaças em aterros sanitários, no mar, rios, lagos
ou riachos, terrenos, e queima a céu aberto.
Os fabricantes e os
importadores poderão criar centrais de recepção e coleta
desses pneus para posterior destinação final
ambientalmente segura e adequada.
Finalmente, cabe a
todos: fabricantes, importadores, distribuidores,
revendedores e consumidores, juntamente com o Poder
Público, colaborar no cumprimento dessa resolução.
Essa legislação é
uma das mais avançadas e modernas em todo o mundo e,
quando estiver plenamente em vigor, fará com que a coleta,
sendo maior que a produção / importação irá, aos poucos,
eliminar carcaças já existentes até o ponto em que nenhum
pneu será mais lançado na natureza, sob qualquer forma ou
em qualquer local.

|